Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos e tem passaportes apreendidos após derrota eleitoral

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Um dia após perder a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a enfrentar novos desdobramentos de investigações criminais que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar é alvo de dois inquéritos que apuram suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, além de possíveis irregularidades em movimentações financeiras.

Nesta segunda-feira (26), Flávio afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes comum e diplomático. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que também proibiu o senador de deixar o Brasil.

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As investigações envolvem, entre outros pontos, negociações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e movimentações financeiras ligadas ao advogado Willer Tomaz, apontado pela Polícia Federal como próximo do senador.

Flávio nega as acusações e afirma que não cometeu irregularidades.

Derrota eleitoral e situação política

A derrota na eleição presidencial também tem consequências políticas para Flávio Bolsonaro. Caso tivesse vencido a disputa, ele poderia contar com a imunidade temporária prevista na Constituição para o presidente da República em relação a atos anteriores ao mandato que não tenham relação com as funções presidenciais.

Com o resultado das urnas, essa possibilidade não se concretizou. Além disso, o senador deverá perder o foro por prerrogativa de função ao término de seu mandato parlamentar, previsto para fevereiro, caso não ocupe outro cargo que lhe assegure essa prerrogativa.

A eventual mudança de competência dependerá da natureza dos fatos investigados e das regras aplicáveis a cada procedimento.

Investigação envolve financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro

Um dos inquéritos apura suspeitas relacionadas a um pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a produção de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Flávio teria negociado diretamente com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 122,7 milhões, conforme a cotação mencionada nas reportagens.

A investigação busca esclarecer a origem dos recursos, o destino do dinheiro enviado aos Estados Unidos e a eventual participação de pessoas ligadas ao senador. Entre as suspeitas apuradas estão corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Mensagens atribuídas a Flávio também integram as informações divulgadas sobre o caso. Em uma delas, enviada em novembro de 2025, o senador teria demonstrado apoio ao banqueiro e solicitado ajuda.

A apuração está sob relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal.

Flávio nega irregularidades e afirma que o filme é financiado com recursos privados. O senador também declarou defender transparência sobre a produção e sustentou que não há nada de errado no projeto.

Caso Willer Tomaz

O segundo inquérito investiga possíveis irregularidades nas relações financeiras entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador. O procedimento está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

A investigação ganhou novos elementos após a apreensão do celular do advogado durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

De acordo com informações atribuídas à Polícia Federal, a análise do aparelho revelou registros de movimentações financeiras consideradas suspeitas, além de documentos, fotografias e referências a encontros entre Willer e Flávio.

Os investigadores também examinam possíveis conexões com plataformas de apostas, empresas e holdings no exterior, incluindo estruturas empresariais relacionadas à Cathedral Holding, apontada como acionista da Rede Loto, ligada à casa de apostas BestBet.

Outro ponto apurado envolve um suposto acesso de Flávio, na condição de usuário master, à conta bancária da Alcazar Holding, empresa vinculada ao advogado. Segundo os documentos mencionados nas reportagens, teria sido solicitada a exclusão do senador da conta em maio de 2025.

Para a Polícia Federal, esse registro, analisado em conjunto com os demais elementos, pode ajudar a esclarecer se havia participação econômica ou societária do parlamentar na empresa.

Flávio contestou essa informação. Em manifestação anterior, afirmou que nunca manteve conta bancária na qual Willer Tomaz ou empresas do advogado figurassem como usuários master. O senador também classificou as acusações como falsas e atribuiu a divulgação das informações a interesses eleitorais.

Defesa nega irregularidades

A assessoria de Willer Tomaz também negou as suspeitas. Em nota, afirmou que as empresas e participações do advogado são lícitas, estão registradas publicamente e constam em sua declaração de Imposto de Renda.

A defesa declarou ainda que não existem sócios ocultos, contas não declaradas ou patrimônio escondido. Segundo o posicionamento, a Rede Loto, controlada pela Cathedral Holding, nunca realizou operações de apostas.

Sobre Flávio Bolsonaro, a assessoria afirmou que o senador jamais teve acesso ou poderes sobre contas de empresas do advogado e classificou a relação entre os dois como uma amizade entre famílias.

A defesa disse confiar que a investigação demonstrará a regularidade das operações.

Os dois procedimentos seguem em apuração. As suspeitas investigadas não representam, por si só, comprovação de culpa, e Flávio Bolsonaro mantém o direito à presunção de inocência.

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