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segunda-feira, junho 17, 2024
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Governo coleciona ataques à China e Brasil fica sem vacinas

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Os constantes ataques de membros do governo federal à China, principal parceiro comercial do Brasil, mesmo antes do início da gestão atual vêm causando consequências diplomáticas diretas ao país, principalmente ao PNI (Plano Nacional de Imunização) contra a covid-19.

Nesta sexta-feira (14), o Governo de São Paulo entregou ao Ministério da Saúde o último lote disponível de vacinas feitas em parceria com o laboratório Sinovac, do país oriental, e não há data de quando uma nova remessa de matéria-prima chinesa, necessária para a fabricação dos insumos pelo Instituto Butantan, chegará a São Paulo.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) vem enfrentando a mesma dificuldade com o fármaco produzido em parceria com AstraZeneca/Oxford e informou na quinta-feira (13) que vai interromper o envase de doses por alguns dias na próxima semana por falta de insumo farmacêutico ativo (IFA), o principal componente para a fabricação das doses.

Na mais recente das insinuações, Bolsonaro sugeriu que o país asiático teria se beneficiado financeiramente da pandemia, que o vírus teria sido criado em laboratório e a crise sanitária se trata, na verdade, de uma guerra química.

\”É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês\”, disparou o presidente, sem apresentar provas ou evidências, durante evento no Palácio do Planalto.

Mais tarde o chefe do Executivo nacional recuou, destacando não ter citado nominalmente o país asiático.

No mesmo dia, o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que a declaração pode prejudicar o recebimento de insumos para a produção de vacinas contra a covid-19.

“E a situação nossa em relação aos insumos vai piorar com essa declaração de hoje. Hoje foi ruim, viu. Ele chama de guerra química e tal, e aí a gente está dependendo, estamos na mão dos chineses para trazer o IFA”, afirmou Aziz.

Também no mês passado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que os chineses foram os criadores do novo coronavírus, mas não possuem a melhor vacina, criando um incidente diplomático. O titular da pasta fez as afirmações em reunião ao lado do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mas não sabia que estava sendo gravado.

\”Até os foguetes da Nasa já são privados. Estado quebrou, não consegue mandar todo ano um homem para lua. Estados Unidos têm indústria forte. Chinês inventou o vírus e a vacina dele é pior que a americana. Toma aqui a Pfizer\”, afirmou.

Em outubro de 2020, em um dos episódios mais polêmicos durante a pandemia, Bolsonaro afirmou que o Brasil não compraria a vacina chinesa CoronaVac porque o medicamento não transmite segurança \”pela sua origem\” e não tem credibilidade.

\”Da China não compraremos. Não acredito que ela transmita segurança para a população pela sua origem. Esse é o pensamento nosso\”, garantiu. \”A da China, lamentavelmente, já existe um descrédito muito grande por parte da população. Até porque, como muitos dizem, esse vírus teria nascido lá.\”

Fonte: R7

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